junho 29, 2010

Nostalgia


Ritmos, sensações, cores, sabores... Absolutamente tudo faz lembrar, tudo causa dor, e ela aumenta a cada dia, não, dor não é o certo, é a estranha sensação que é sentir NADA, mas o que será realmente esse nada?
Quem não já sentiu falta de algo que não viveu? Quem já não quis voltar no tempo e fazer diferente? O tempo não volta, e a vida nem sempre nos dá uma segunda chance.
É uma dor que aperta, que tira o ar, que faz a ansiedade ser foco em sua vida, aquela sensação de não poder mais viver certos momentos (ah, por que teve que ser assim?), é sofrer por uma paixão sem sequer saber a razão, e muitas vezes nem saber a que paixão seu coração se refere (triste não? Que coração traiçoeiro), ouvir aquela música romântica e lembrar de alguém (mas quem?) Será que é irreversível? Aquela culpa do que foi feito, aquele sentimento de não ter conserto. É um sentimento que machuca, fere, pois vive no pensamento, está sempre no irreal; o que se pode fazer é transformar essa dor apenas em saudade, trazê-lo ao real, fazer que tudo possa realmente valer a pena.
Ah! Como eu o desejo, por sois e luas, e o crepúsculo é sempre a hora mais nostálgica, tudo parece ser ele, o sol leva embora toda esperança que tive outrora. Algumas vezes, essa dor torna-se um sentimento bom, uma saudade boa, já que é somente em seu pensamento que é capaz de encontrar aquela pessoa. As dores de amor, as nossas saudades... Será só saudade daquilo que não viveu?
O que está esperando para viver? Trazer para o real tudo aquilo que permanece em seu pensamento? Neste momento, talvez a saudade seja somente boa, e ela possa ser simplesmente um ponto entre o amor e todos os reencontros.


junho 19, 2010

"Ópio do povo"

Religião s.f. 1.Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, criadoras e reguladoras do universo, que provêem o homem de uma natureza espiritual, que se perpetua após a morte. 2. Cada um dos vários sistemas de fé baseados em tal crença. 3.Devoção; piedade.

Se fosse possível somente tal designação, tudo seria mais fácil. Religião é na verdade, forma de poder, dominação, manipulação e consequentemente preconceito, dor e morte. Não há por que dizer que estou mentindo, basta olhar a história, basta olhar o próprio presente, mas, compreendo que a manipulação chega ao ponto de colocar viseira nas pessoas. Não nego que muitas vezes as pessoas são capazes de "lapidarem" sua personalidade, de tornarem-se melhores, porém, a manipulação exercida é tão forte que as fazem fugirem da realidade, culpar Deus ou o Diabo de tudo; querer explicar tudo pelo espiritual, é tão cômodo fugir das responsabilidades dizendo que uma força sobrenatural quer assim; é tão simples não fazer nada porque é o fim do mundo; é tão importante preocupar-se com simbologias, enquanto pessoas morrem de fome, de frio... Em guerras diárias; e é tão simples também, dizer que sua religião é a correta, é a que salva, criar preconceitos (e pior, colocá-los em prática), seja destruindo terreiros de candomblé, seja odiando pessoas que pensam diferente; e é tão bom dizer que Deus é contra homossexuais sendo que tal preconceito só surgiu com o cristianismo; tão cômodo afirmar que o mundo está em caos porque "ele já é do maligno".
Hoje, entendo exatamente o que Karl Marx quis dizer quando afirmou que "a religião é o ópio do povo", as pessoas ficam cegas, paralisadas, alienadas. Não estou negando a importância da fé, o grande problema é que tudo se distorce, ganha novo significado, gera preconceitos, faz com que fujam do que verdadeiramente importa. É como a droga que faz sentir-se melhor, esquecer que "o mundo lá fora" não está tão bom assim, que prende a ilusão, que faz ter em quem ou em que por a culpa...

maio 08, 2010

É como se a cada momento se fosse uma nova pessoa,
é como se todas as vezes que se olha para trás se enxerga um outro ser, uma outra criatura, não importa se melhor ou pior, mas completamente diferente do que se é.
A romântica, a desiludida, períodos de oscilação...
O desejo, a confusão, o sentimento, a reação, o calor, o desejo, a saudade, a alegria, a tristeza, a fantasia... O irreal, o quase real, o perfeito, o desastroso, o que deveria se esquecer, o que se gostaria de lembrar, o que deveria para sempre se apagar...
Dores, e mais dores, coração mutilado, sem mais razão de ser e cheio de ilusões que promovem o sentido.
Sentido? Qual sentido? O de ser? Não. O de não ser.

maio 04, 2010

Quem paga a conta?

Certa vez, ouvi alguém dizer: "Você não é o que você é, você é o que você tem!"
Estive a pensar, tentar entender até onde se pode chegar...
Recordei que muitas vezes ninguém sabe ao certo o que quer, vai realizando coisas como fazem as máquinas... Preciso entrar na faculdade porque meus pais desejam, preciso ter um emprego que pague bem porque a sociedade assim deseja, preciso estar com alguém porque não aguento o vazio da solidão, preciso criticar os outros para me sentir melhor, preciso ajudar para me sentir superior, preciso usar determinado objeto porque meus amigos também o usam, preciso mostrar que sou melhor... Preciso, preciso e preciso!
E quem paga a conta do terrível descontentamento? Quem paga a conta de sempre desejar algo mais? (Não importa quanto você tenha, nunca será o suficiente, não há paz) Quem poderá pagar a conta de tanta tristeza, decepção, desilusão, loucura?
Quem, por acaso, deseja pagar a conta da solidão, do vazio existencial?
Alguém saberá pagar a conta dessa infinita insatisfação?

abril 28, 2010

Pudera eu escrever algo que tocasse a alma, algo capaz de descrever tudo que sinto e penso, que traduzisse esses sentimentos insanos, algo que trouxesse de volta meu espírito. Pudera eu ser capaz de escrever algo útil, que fizesse bem à alguém, que resolvesse algo, mas não, resumo a escrever inutilidades, bobagens e mais bobagens...
Quisera eu escrever algo lindo, perfeito, que fosse capaz de em algum lugar tocar um coração, mas é só NADA.
... nada além de nada...

abril 24, 2010

Ser outro

Se a cada palavra escrita a alma se recuperasse, eu viveria a escrever, acabaria com meu corpo até resgatar meu espírito.

Quando já não se sabe o que fazer, aonde ir, qual caminho seguir,

já não se sabe mais se a pessoa que cá vive sou eu, ou se no caminho do sofrimento aprendizado me torno outro, talvez descobri outro ser nesse caminho.

Outro iludido, aturdido, perseguido, sofrido, confundido... Dissimulado, que compõe as partes do que sou.

Do passado já não suporto lembrar pelo desejo de voltar e fazer tudo acontecer novamente, será que fui mais feliz? Não ouso buscar a felicidade, talvez tenha se cansado de mim, o que pode haver de mais difícil é o fato de não preencher o que não deve ser preenchido.

Do que estou falando afinal?

Deus, se tempo lhes sobres tenha misericórdia de mim não sou digna de ser atendida, Deus deve ter prioridades, e que essas prioridades não me incluam, detesto a piedade. O ser humano é tão ridículo que finge ser piedoso tentando ser melhor, e acaso não seria eu um ser humano?

Ao mesmo tempo o admiro, sim, sabe que irá morrer, é bom saber que todos acabarão num túmulo imundo sendo devorado, a cada mínimo detalhe... Cada acesso de raiva, de prepotência, de arrogância, de maldade, se desfazendo aos poucos, merecedor de cada milésimo de segundo o corpo se desfaz, não adianta fingir que foi o bem, quando se sabe que foi o mal.

E que ria porque é somente o que se resta dessa natureza imunda do ser, deixa que Deus fique responsável pelo bem, Ele próprio é o amor, afinal que se encontre um caminho e se vá por ele até o fim. Deixo Deus cuidar do que verdadeiramente importa, O deixo em paz para cuidar do que é necessário, e dessa vida medíocre eu mesma cuido.

Detesto esse jeito que as pessoas enxergam Deus, detesto todas essas mentiras, essa forma de fugir do vazio existencial, esse fanatismo ridículo, essa forma de deixá-Lo resolver tudo; Ele nada tem haver com o que fizeste, esse abandono de si e dos outros, esse completo descontrole, esse jeito de querer culpá-Lo pelas misérias que fazes todos os dias, do mal que corrói o espírito, de ter deixado o bem partir sem ao menos dizer adeus, ou por melhor dizer, expulsaram o bem daqui, e junto com ele deixaram Deus longe, sofrendo por essa criação péssima, que culpa tem Deus se transformaram o amor em conto da carochinha? Ao certo Ele se envergonha de ter criado um ser tão imundo.

Tudo é só forma de querer fugir da responsabilidade, de saber que enquanto dormem, eles passam frio, que enquanto escolhe o que comer, tantos morrem de fome, que enquanto reclamam de teus pais, eles gostariam de ter alguém de se queixar, enquanto desperdiçam tanto tempo pensando em contos de fadas, eles não tem uma esperança para o futuro,

se gasta tanto inutilmente, e eles morrem... Ainda possui a audácia de perguntar o que tem haver?

É. Sou um ser humano (mesmo não querendo ser), um ser que nem sabe o que é ser.

Peço que me leve pra longe daqui... Deus porque me colocaste aqui?

abril 23, 2010

É necessário ir além do desespero

"A esperança é a arte de ser feliz sem a felicidade..."

Quando há a segunda chance de fazer o certo? Como definir o que é o certo?
Talvez eu não o encontre nunca mais.
E para que todos esses sonhos de amor? De que me serve acreditar?
A paixão é ridícula! Os sonhos de amor são ridículos! Mas, quem nunca (ao menos uma vez) os teve?
Ah! Aquele sorriso, aquele olhar...
Será que ainda não pude perceber que ilusões fazem mal? Será que não há razão para nada?
Chega de sonhos infantis! Cansei-me de contos de fadas!
Mas como ser feliz sem sonhos? Eles, por certo, devem alimentar minha alma.
Talvez um dia, assim sem querer, mas com o coração esperançoso, eu o encontre, ou logo posso acordar.
Posso me iludir completamente (mais uma vez) ou nunca mais acreditar no amor(e quem disse que acredito?)
Se estiver errada, algo me indicará o certo.
O certo, aquilo que é tão incerto, isso me corrói, me destrói, onde estará?
Uma certeza: Jamais esquecerei aquele sorriso.